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Antigamente houve muita actividade nesta área, com dois moinhos e 3 padarias, de onde o pão era enviado em carroças, puxadas por mulas, para ser vendido em Castanheira da Pêra, Pampilhosa da Serra e Álvaro. Costumava-se fazer muita aguardente das ervideiras (medronhos) que cresciam abundantemente na área. Tinha-se abelhas para produzirem mel e o gado era guardado pelas crianças das comunidades. A colheita da resina era muito importante e toda a gente que tinha pinhais grandes negociava anualmente o preço para a sangria dos pinheiros. Existiam duas fábricas de resina no lugar – uma delas ainda trabalha. Estas duas fábricas eram as maiores empregadoras para os habitantes das povoações locais e produziam aguarrás.
As povoações da aldeia eram famosas pelas suas festas e bailes. Havia o costume tradicional na festa de S. João de erigir um mastro na praça, no topo do qual era pendurado um cântaro com um gato por dentro e era aceso o fogo no fundo do mastro. (Este uso também acontecia em outras aldeias do concelho e provavelmente provem do tempo da inquisição onde mulheres consideradas ‘bruxas’ e os seus gatos eram queimadas à morte). Lobos viviam na região e frequentemente estes acompanhavam os viajantes que caminhavam de noite vindo de Góis para casa. Conta-se que a povoação da qual surgiu a actual Chã de Alvares provem originalmente do tempo da ocupação Romana ou Mourisca, porque a área era rica em ouro. Mais recentemente, narra-se uma história que João Brandão, um ladrão famoso, teria sido activo na região, roubando aos ricos para dar aos pobres com a sua quadrilha organizada que também dava protecção contra pagamento. Ele e o seu grande bando costumavam aparentemente atacar de noite. Também, durante a invasão francesa de Napoleão Bonaparte, o General Macena passou aqui com os seus soldados pedestres, vindo de Viseu. Diferente das aldeias em outras partes do concelho as povoações que constituem Chã de Alvares não tiveram emigração para países estrangeiros, mas como havia dois ou três pessoas importantes da aldeia que trabalhavam no Porto em Lisboa, muitos homens foram para ai trabalhar como descarregadores dos barcos e as mulheres e as crianças seguiram mais tarde. Esta emigração começou por volta de 1920. Mas mais uma vez diferente de outras aldeias no concelho, a Chã de Alvares teve um crescimento de pessoas novas nos últimos anos e existe a sensação que haja lentamente um regresso das pessoas da cidade. Hoje, as crianças frequentam a escola em Alvares e a velha escola da Chã de Alvares foi convertida numa Casa de Convívio.
Para ver a fábrica de resina e informação acerca da colheita de resina, clique por favor aqui.
O marco mais proeminente é provavelmente a Igreja, dedicada a St.ª Margarida, que se situa do lado esquerdo da estrada quando viaja em direcção sul para Alvares. Á volta encontra-se um pequeno grupo de casas velhas e novas. Havia antigamente uma pequena capela perto do local onde a igreja agora está que continha uma velha imagem de St.ª Margarida – esta encontra-se agora no Museu de Alvares. A Igreja, que foi inaugurada em 1962, tem uma estátua de homenagem no recinto, como tributo para a família patrocinadora que financiou a construção do adro.
Quando se vira no cruzamento à esquerda em direcção a Chã de Alvares, a primeira comunidade pela qual passará é Tulhas. A comunidade cresceu à volta de uma grande quinta, ainda em propriedade da família Rebelo Arnaut e esta era antigamente uma importante empregadora para os habitantes locais. A quinta foi extensivamente restaurada durante os últimos anos. Os velhos edifícios à volta da povoação são construídos da pedra local e com o tempo desenvolveram uma cor de barro queimado. No fundo da povoação encontra-se um grande lagar.
Antes da ponte no fundo da Chã de Alvares há uma estreita estrada alcatroada que leva para a comunidade de Covão. As velhas casas seguem a rua estreita para uma pequena praceta onde um carreiro leva para a floresta e onde os habitantes antigamente colhiam a resina dos pinheiros. Entre as casas encontra-se um grande edifício degradado, invadido por vinhas e silvas, que outrora era a escola local.
Casal de Baixo situa-se no Sudeste da Chã de Alvares. Uma séria de pequenas ruelas percorre a povoação. Passeando pela aldeia pode-se ver de relance um pouco da sua idade e passada prosperidade – granito, que não se encontra localmente nesta região, foi importado para cercar as janelas e portas. Hoje encontram-se casas restauradas junto aos velhos edifícios em pedra. Da povoação pode se ver a extensão de cultivo de oliveiras à volta de Chã de Alvares. No Porto da Lagem ou Portelagem era a velha fonte em frente ao lagar – parte da propriedade da quinta das Tulhas. Na Casa do Romão podia-se comprar tudo que se precisava e também havia uma pequena taberna integrada. Em frente desta casa encontrava-se um moinho (uma moagem, como se costuma dizer na Chã de Alvares) que trabalhava a diesel. Havia também um ferreiro na povoação que fazia ferramentas para a agricultura e os ferros para os cavalos, burros e as mulas.
O Casal de Cima é a maior povoação da Chã de Alvares e pode gabar-se do seu próprio sistema de sentido único! Ao entrar, a primeira parte da povoação é chamada Favacal. Isto era a parte comercial da aldeia e ainda pode-se ver uma velha chaminé na parte de trás de uma casa que outrora era uma padaria. No coração da povoação encontra-se a sombreada área de festa com uma fonte e uma série de ruas estreitas e caminhos levam pela aldeia fora. Iguais às outras povoações que fazem parte da Chã de Alvares, os velhos edifícios são feitos da pedra local que com o passar do tempo desenvolveu uma cor bonita. Existe uma velha fábrica de resina, agora fechada e em ruínas, no cimo da povoação. Entre o cimento ainda é possível encontrar peças de resina refinada. No lugar ‘Casal de Diogo Vaz’ havia uma outra grande quinta com duas casas, que era da propriedade da família Mota. No passado, o Casal de Baixo e o Casal de Cima eram povoações separadas que depois se ligaram pelas casas construídas na encosta, no local chamado ‘Portela’.
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| Updated 25 March, 2008 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||