Açôr
Ádela
Aldeia Velha
Carrima
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Coiços
Foz da Cova
Loural
Malhada
Quinta das Aguias
Quinta de Belide
Ribeira de Ádela
Ribeiro de Além
Roçaio
Saião
Salgado
Sobral
Soito
Vale de Asna

Açôr  

 


Açôr  
       
 

Açôr

Açor. Talvez o nome desta pequena aldeia provenha do de uma ave rapina, semelhante à águia e ao milhafre.*
A aldeia situa-se ao lado da Ribeira de Ádela. Num dia limpo é possível ver o cume da Serra da Estrela. A aldeia é na maior parte constituída por uma fila de casas ao longo da velha estrada estreita para Ádela. Por baixo da aldeia estão os socalcos com as terras de cultivo. Perto da aldeia crescem muitas laranjeiras, cerejeiras e oliveiras e pelo meio da povoação passa uma levada para irrigação das terras. Ao longo do lado da levada há um muro robusto, destinado a prevenir que as cheias provenientes do monte por detrás não levem os terraços. Um carreiro desce para a fonte onde os habitantes da aldeia costumavam ir à água. Ao longo do carreiro há degraus que foram cortados para dentro da rocha.
Em muitos dos edifícios observam-se linhas verticais que foram cortadas nas pedras de xisto em ambos os lados das portas e janelas. Isto era uma forma de contagem – marcava-se uma linha na pedra cada vez um certo produto entrava ou saia (p.ex. cestas de milho, molhos de mato…).
No Açor residem hoje permanentemente 12 pessoas, das quais quatro activos trabalhadores por conta de outrem na área dos serviços e uma criança em idade escolar. Isto quer dizer que em termos relativos o Açor é uma das terras da Freguesia com mais população e população mais jovem.

Açôr Açôr

…Eram idas e vindas incontáveis, subindo e descendo, a fim de cultivar “combaros” e açudes dispersos pelas encostas e ribeiras fragosas; transportar as colheitas para casa; moer o milho (de Açor e Ádela chegava-se a ir moer ao Colmeal), e voltar com farinha; trabalhar aqui ou ali; transportar sacos de areia e cimento, traves gigantescas, máquinas de costura e outros equipamentos ou móveis; ir a Fajão, à Pampilhosa da Serra ou a outras localidades; devolver a vida ida à terra, transportando os defuntos para serem sepultados (de Ádela e Açor para o Colmeal); ir a missa ao Domingo, deixando as tamancas escondidas numa silveira que havia no Porto Ribeiro (Colmeal) ou à entrada de Cepos; anualmente, para ir ver as festas, uma das poucas oportunidades de divertimento de que as pessoas dispunham. …
…Na zona como na região, em geral, a actividade económica dominante era a agricultura de subsistência e pastorícia. Pelos caminhos, poderão ser observados os “combaros” e lameiros, muitos deles já pouco perceptíveis por baixo dos matagais e silvados que os invadiram, embora se note, a reflectir o amor desmedido à terra-solo, que alguns têm sido limpos. Junto aos terrenos, encontram-se os currais, resistentemente ainda de pé ou já desmoronados. Serviam, essencialmente, para abrigar o gado que era deslocado para os terrenos mais distantes, a fim de por lá roer as ervas daninhas, e produzir o esterco necessário ao cultivo da terra. Dado que também serviam para guardar utensílios, é frequente conterem, por exemplo, velhas escadas da apanha da azeitona…
…Entre Ádela e Açor, encontram-se as tulhas e o lagar, tristemente já desmoronados, que antigamente serviam ambas as povoações. As tulhas eram pequenas casinhas, como as existentes no lagar da Cabreira, onde a azeitona era conservada em sal, até chegar a sua vez de ser moída…
…Também há abelhas esvoaçantes e colmeias que produzem excelente mel derivado maioritariamente das diferentes espécies de urze (moita, queiró, magurice e negrela). Vestígios de actividade passadas são, também, as tigelas da resina que se encontram escondidas debaixo do mato ou aquele pedregulho (inicio da subida para Ádela), trazido às costas sabe-se lá de onde, que ostenta um orifício redondo, a remeter para a extracção da pedra recorrendo à pólvora…

Açôr
 
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…Apesar da desertificação areenta e verde, que ameaça as espécies mais vulneráveis, e dos incêndios que têm reduzido a massa genética, a biodiversidade na zona é grande, sendo a flora muito rica em herbáceas, arbustos e árvores autóctones sobreviventes das alterações climáticas e da intervenção do homem com vista à sua própria sobrevivência…
…Surpreendente para alguns visitantes, há ervideiros (medronheiros) em vários sítios e a medronheira é excelente!..

Autora: Lisete de Matos
Publicado sob o título ‘Caminhada “Trilhos da Ribeira de Ádela”: Um Olhar’ na Comarca de Arganil em 15 de Maio de 2008 e no Site*
http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/ no dia 7 de Abril de 2008

…A aldeia tem uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Saúde, a qual foi começada em 1924 e benzida em 1936. As Alminhas, recentemente reconstruídas, mostram um S. Miguel Arcanjo, em substituição das figuras iniciais pintadas em madeira…
…O horizonte limitado pelos montes circundantes torna-se imenso do topo da serra, de onde, na Selada Domingos dos Cepos, até os píncaros da Serra da Estrela se avistam em dias de boa luminosidade. Olha, a serra da neve tem os lençóis a corar!..
…O lagar situava-se entre Ádela e Açor, na colina entre o Barroco do Porto dos Baqueiros e o Val do Meios, à beira do caminho que antigamente ligava as duas aldeias e por onde ainda se passa a pé. Foi ali construído, em 1902, diz-se que por haver lá uma grande sobreira que era boa para fazer a vara, mas excessivamente pesada para ser transportada para qualquer outro lugar. Pertencia a famílias de Ádela, mas servia as duas povoações. Por razões funcionais, à construção ao lagar seguiu-se a das tulhas, pequenas casinhas de paredes de xisto e telhado em laje – uma por família – onde se ia guardando a azeitona. Todos desmoronados, lembram, hoje, uma aldeia fantasma!..
…Para além das levadas activas ou há pouco abandonadas por força do abandono das terras, podem encontrar-se na Lomba de Ádela e na Ribeira vestígios de levadas que se diz serem do tempo dos Mouros. Na realidade parece que datam da época romana, correspondendo a canais para transporte de água ou a valas abertas com objectivos de exploração mineira…
…Na localidade, há poços e levadas activos que regam as hortas junto à povoação, enquanto, por baixo da mesma, na Ribeira de Ádela, se encontram vestígios de levadas que se diz serem do tempo dos Mouros.

Açôr Açôr Açôr

…No lugar, junto ao Poço da Fonte, há vestígios de um algar.
…Os algares são galerias subterrâneas, em geral com acesso horizontal, praticamente todos com as entradas soterradas pelo cascalho que ao longo dos anos ali se foi acumulando…

…Natal de 1989.
Três mulheres conversam.
- Falava-se de lobisomens, antigamente. . .
- A gente falava, mas eu cá nunca vi nenhum.
- Ai, nunca viu nenhum . . .?
- Eu não, mas havia, era uma coisa muito grande, dentro de um lençol . . .
- Havia, havia, por isso é que a . . . , que teve sete filhos rapazes, todos seguidos, pôs ao sétimo o nome de Maurício.
- Maurício. . .?
- Sim, quando se tem sete filhos seguidos todos do mesmo sexo, o sétimo tem de ser Maurício. Se não, é lobisomem. Antigamente, se calhar, as pessoas não sabiam disso e daí haver lobisomens.

Fonte: ‘GENTE DA SERRA Do seu Quotidiano e Costumes’ por Lisete P. Almeida de Matos, data de Edição de 1990.

 
      
 
      
gois    
  Updated 18 June, 2008