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Quando se sobe pela estrada até Ádela pode-se ver por baixo a aldeia na sua totalidade. A povoação foi construída por cima de um estreito cume e invulgarmente conta com duas capelas – uma de cada lado da estrada estreita que passa pela aldeia. A capela no início da aldeia é dedicada a São Lourenço e a outra no topo do monte, à Nossa Senhora da Luz. Muitas das casas da aldeia foram modernizadas e pintadas de branco mas mesmo assim ainda existam muitas casas de xisto em Ádela.
Conta-se que os fundadores da aldeia povoaram primeiro um lugar chamado ‘Outeiro do Povoal’ perto de Sobral. Mas como ali havia muito pouca água e as terras eram muito íngremes um dia um homem diz: “ Vamos para a de lá!” e assim as pessoas mudaram-se para mais além e fundaram a aldeia de Ádela (a de lá). Aqui há tanta água que uma das fontes na aldeia tem duas torneiras dando assim aos habitantes a escolha de tirarem água da Fonte do Vale ou da Fonte dos Carochos.
A terra de ambos os lados da aldeia desce íngreme e nos vales foram construídos socalcos. Por de baixo da aldeia encontra-se uma colecção de pequenos edifícios em xisto que traçam a velha estrada, casas de arrecadação, estas eram as tulhas da aldeia. Cada família da aldeia tinha a sua própria tulha onde guardavam as suas azeitonas antes de serem prensadas no lagar ao pé.
Diz-se que antigamente havia quatro fornos na aldeia que os habitantes utilizavam e onde deixavam como pagamento as cinzas ao dono do forno. Cinzas que este utilizava para fertilizar as suas terras.
Outrora existiam sete moinhos perto de Ádela: um em ‘Porto de Carvalhalva’, outro na ‘Azenha’, depois havia o ‘Moinho Pequeno’, ‘Moinho da Foz Salgueira’, ‘Moinho Novo’, ‘Moinho das Carvalheiras’ e o ‘Moinho Fundeiro’. Todos estes moinhos estão hoje em ruínas.
De todas as levadas da região a mais importante é, certamente, a Levada dos Mouros, que passa na Ribeira de Ádela. (Na realidade esta levada data da era Romana e informação mais detalhada pode encontrar noutro lado deste Website.)
Também algumas minas se diz datarem do tempo dos Mouros. É o caso da mina da Fonte Salgueira, situada por cima de Ádela, que tem uma galeria em linha recta superior a 100 metros. Mais ou menos ao meio, cai do tecto imensa água, possivelmente vinda do poço existente no algar do Penedo Velho, localizada por cima da mina.*
*Fonte: ‘GENTE DA SERRA Do seu Quotidiano e Costumes’ por Lisete P. Almeida de Matos, data de Edição de 1990.
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