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Carvalhal do Sapo  

 


Carvalhal do Sapo  
       
 

Carvalhal do Sapo

O Carvalhal situa-se no alto do lado do vale. A terra por detrás sobe até ao cume das Caveiras com uma altura de 1029m. A sua posição proeminente proporciona à aldeia uma vista grandiosa sobre o vale de Ceira. A aldeia é fácil de reconhecer por causa do grande edifício branco na encosta por cima da aldeia – as severas linhas do edifício estão fora do lugar e chocam contra a rústica arquitectura das casas de Carvalhal.
Da estrada encima da aldeia, olha-se para uma colecção aleatória de velhos e novos edifícios. Dá a impressão que as estradas foram feitas para se ajustarem à volta das casas, em vez de ao contrário, e uma rede de estreitas ruas calcetadas serpenteia-se e divide-se à volta das casas. Quer por planeamento quer acidentalmente estas mudanças de direcção evitam que as ruas se transformem em túneis de vento nesta localização exposta. Entre as casas vêm-se ocasionalmente os cumes dos montes e das montanhas distantes.
A capela na aldeia é dedicada a São João Baptista e a festa da aldeia foi sempre no dia de São João (dia 24 de Junho, agora é no fim-de-semana mais perto desta data). A capela situa-se na entrada para a velha aldeia. A Povoação é construída com a pedra local e os telhados cobertos de telha serrana, feitas do barro local numa fábrica que outrora existiu no vale abaixo do Carvalhal, na Lomba da Vinha.

Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo

O Carvalhal recebeu o seu nome por causa das muitas carvalhas que costumavam crescer nesta área. A aldeia é oficialmente conhecida por Carvalhal do Sapo, já que no concelho existe uma outra aldeia com o nome de Carvalhal Miúdo. Para distinguir as duas, a Câmara acrescentou ‘do Sapo’ em referência ao rio que passa por baixo da aldeia. Os habitantes, como foi-nos dito, tinham preferido a designação ‘Carvalhal do São João’ segundo o seu Santo Padroeiro.  No censo da região de Góis do ano 1527 são ambos os ‘Carvalhal’ mencionados. O actual Carvalhal do Sapo tinha nesta altura 5 fogos. Assim estas duas aldeias coexistiram durante séculos. No topo da aldeia, a danificada e lascada placa de sinalização ainda diz simplesmente ‘ Carvalhal’.
No passado estavam por volta de 90 casas habitadas e as pessoas viviam em comunidade e apoiavam-se umas às outras. Como noutros locais nesta região, os habitantes de Carvalhal viviam tradicionalmente da agricultura e do gado. A lã das ovelhas era vendida aos comerciantes que iam de uma aldeia à outra. O Sr. César Moreira, morador da aldeia, recorda-se que viu o último lobo em 1944. Os lobos roubavam muitas cabras e ovelhas e de noite podia-se ouvi-los a uivarem.
Os aldeões eram proibidos de fazer carvão (por ordem da Junta de Freguesia) mas algumas vezes faziam-no na mesma na escuridão da noite. O Carvalhal também tinha muitos castanheiros. As castanhas eram secas em caniços por cima do lume, depois pisadas para saírem as cascas e guardadas em arcas, para assim poderem usufruir deste alimento durante todo o ano. Como havia muita abundância de castanhas também eram vendidas para a região de Pampilhosa da Serra.

Carvalhal do Sapo
 
Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo
Carvalhal do Sapo
 
Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo
Carvalhal do Sapo
Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo

Outrora havia duas tecedeiras e dois sapateiros na aldeia. Um dos sapateiros, Sr. Manuel Martins de Almeida, era muito famoso pelos seus contos e sempre que podia falava em rimas.
O Sr. César contou-nos uma das suas histórias:
Testamento do Galo
O galo quando soube que o iam matar, fez um discurso às galinhas.
“Galinhas, minhas amigas, escutais todas e venham ver,
o que faz o pobre galo quando está para morrer!
Se à casa vos chamarem; pila, pila vos dizerem,
não ides lá porque é mentira, pilhar vos querem.
Deixo a minha moela que sempre me serviu de celeiro
ao homem mais honrado para cofre do dinheiro.
Deixo as minhas tripas e toda a mais demasia
à mulher mais rabugenta que houver nesta freguesia”.

Na Ribeira do Carvalhal havia antigamente oito moinhos para moer o milho e centeio. Estes eram o Moinho da Foz das Vinhas, o Moinho dos Azereiros e cinco moinhos em fila na Ponte da Ribeira que moíam com a água da mesma levada. Na Ponte da Ribeira também se encontrava um lagar.

Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo Carvalhal do Sapo
 
      
 
      
gois    
  Updated 18 June, 2008