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Sobral  

 


Sobral  
       
 

Sobral

A aldeia do Sobral situa-se no alto do lado da Ribeira da Panasqueira. Havia muitos sobreiros neste lugar e é dai que possivelmente deriva o nome da aldeia. A maior parte da aldeia é construída numa forma de ferradura com as casas encima do solo rochoso e acentuado, permitindo assim que a terra menos íngreme seja utilizada para cultivo. No centro da aldeia há um pequeno largo na sombra de um limoeiro. No cimo da aldeia encontra-se a capela dedicada à Nossa Sr.ª do Rosário, que data do século XV. A aldeia partilha a capela com Saião e Salgado.
No vale, por cima de Sobral, havia antigamente varias povoações, agora abandonadas – entre elas a Panasqueira e Eiras do Bispo.
A aldeia também tem uma Casa de Convívio inaugurada em 1993 pelo ‘Grupo dos Amigos de Sobral, Saião e Salgado’. Havia um moinho na Ribeira de Saião e quatro na Ribeira do Lagar, mas os moinhos da Ribeira do Lagar foram destruidos pelas cheias. Na Ribeira do Lagar também existia outrora um lagar que presumivelmente deu o nome à ribeira.
Parece que os lobos eram bastante frequentes nesta região até ao século XX e há muitas histórias e contos acerca de fugas e fatalidades ainda na memória viva.

Sobral Sobral Sobral

Uma história contada em ambas as aldeias, Sobral e Ádela, trata de um jovem homem do Sobral que namorava uma rapariga em Ádela, que fica à volta de 4 km de distância. Uma noite, já estava escuro, ele queria ir visitar a sua amada. A sua mãe proibiu-lhe de sair de casa a uma hora destas por causa dos lobos. Mas ele não desistiu e assim enganou a mãe, pondo peças de cortiça em forma de um corpo por debaixo dos cobertores da sua cama, para fazer parecer que estava deitado a dormir, saindo pela janela para a noite fora. Nesta noite a sua mãe teve um pesadelo, sonhou que o seu querido filho tinha sido atacado por lobos. No dia a seguir a única coisa que se encontrou do rapaz foram os seus pés ainda nos sapatos, o resto tinha desaparecido.
Uma mulher da aldeia contou-nos que o seu avô, Dionísio Vicente, era proveniente da aldeia de Pessegueiro no Concelho da Pampilhosa da Serra e namorava uma rapariga na Aldeia Velha. Uma noite deixou o Pessegueiro e meteu-se ao caminho para a Aldeia Velha para no próximo dia seguir ao Colmeal onde queria tratar dos papéis para o casamento. Quando estava a caminhar, de repente apareceram três lobos e circundaram-no. Ele pensou que a sua vida tinha chegado ao fim e que já não era preciso de tratar do casamento. Mas entretanto, na Aldeia Velha, uma cadela que lhe era familiar pressentiu que alguma coisa estava mal e correu à sua ajuda. Esta cadela corajosa lutou contra os lobos, dando assim ao jovem homem a oportunidade de fugir e ele chegou exausto e sem ar mas salvo à Aldeia. A cadela que lhe salvou a vida regressou três dias depois toda ferida, mas com os cuidados do jovem ela sobreviveu. E assim o casamento sempre se realizou e nasceram gerações futuras graças à coragem de uma cadela.

Como em tantas aldeias da região as pessoas do Sobral trabalhavam e divertiam-se juntos. As pessoas mais velhas ainda se lembram do tempo quando costumava haver bailes de noite, da música de concertinas e guitarras e quando no Carnaval se disfarçavam com a roupa dos avós e festejavam.

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gois    
  Updated 9 December, 2007