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30 de Agosto
Tem sido um Verão longo e seco este ano, embora as temperaturas nunca estivessem excepcionalmente altas. Onde nós estamos, esteve à volta de 25 até pouco mais de 30ºC. Estivemos à espera de uma trovoada, como estava previsto durante os últimos dias, mas isto não se realizou. No Verão passado e no anterior tivemos algumas trovoadas bem espectaculares que trouxeram uma rega bem-vinda para as hortas e jardins e geralmente refrescaram tudo um pouco. Este ano, com a excepção notável do Sábado da concentração das motas (que coincidência de mau gosto!) mal temos visto qualquer chuva desde Maio. O sol e o calor são claramente as duas razões principais para que as pessoas escolhem vir e viver em Portugal e é maravilhoso acordar dia após dia com um esplêndido céu azul ou nevoeiro que rapidamente é vencido pelo sol. Mas existe, como acontece com qualquer benefício, também um lado oposto – neste caso isto é o risco de incêndios. Os indicadores de risco de fogos têm sido regulados para a zona de risco médio durante algum tempo e há avisos contínuos que todos nós temos responsabilidade de proteger-nos do fogo. Contudo, mesmo assim rebentam ocasionalmente incêndios e no Domingo passado durante a hora do chã demo-nos conta de um repetido som de sirenes (muito invulgar aqui) quando veículos aceleraram por Góis e pouco depois vimos as avionetas com depósitos de água passarem por cima das nossas cabeças. Pouco depois ficamos a saber onde o fogo se situava, à volta de 20 km vale acima e na manhã próxima ouvimos que foram preciso várias horas e mais de 200 bombeiros para o controlar. Não houve nenhuma perca de vida nem danos em qualquer aldeia. Este facto, como pode imaginar, evoca tremendos sentimentos de gratidão e apreciação para as pessoas que combatem contra tais fogos – os Bombeiros, a maior parte deles é voluntária. Queria aproveitar a oportunidade nesta página de reconhecer e agradecer a sua coragem e o seu empenho, dos quais todos nós dependemos. Ontem a noite, na esplanada em Góis, foi feito uma ‘Sardinhada’ e um bailarico para beneficiar os bombeiros locais – uma ocasião festiva por baixo das luzes decorativas. Algumas das aldeias nas montanhas também fizeram neste fim-de-semana as suas festas - que talvez nunca tinham sido realizadas se não houvesse havido os bombeiros.
Uma nota mais leve – gostaríamos compartilhar consigo a nossa surpresa acerca da nossa colheita de tomates neste Verão! O tempo quente e seco (em combinação com muita rega à mão) parece que fez muito bem. De facto temos tal abundância que estamos experimentando com a nossa própria técnica de secagem no sol, que até agora parece funcionar. Mas agora, o que fazer com todos estes pimentos, malaguetas e beringelas …?
19 de Agosto
Ontem juntámo-nos com grande prazer à família e aos amigos do Prof. João para comparticipar num almoço de convívio na sua terra natal de Ponte do Sótão. Encontrámo-nos em frente da Casa do Povo para um banquete delicioso de sardinhas, robalos e lulas grelhadas, fornecidos pelo ‘Rei das Sardinhas’ de Matosinhos. (Ao que parece uma vez o Mick Jagger comeu no restaurante ‘O Rei das Sardinhas’ e gostou tanto que noutra altura quando estava em Lisboa deslocou-se de propósito de avião para ali comer. Infelizmente foi numa segunda-feira e o restaurante estava fechado e ele ficou desapontado)! Foi uma grande honra de sermos convidados a participar num costume Português tão importante - juntar-se ao ar livre para comer, beber vinho e desfrutar da companhia de cada um. O convívio parece ser uma qualidade muito importante que une as comunidades – talvez o clima generoso ajude nesta tarefa mais que nos países mais a norte – e estas ocasiões juntam pessoas de todas as idades, ocupações e conhecimentos, como já fizemos a experiência. Deliciámo-nos completamente com a comida, o sol e a típica hospitalidade portuguesa que nos ofereceu umas pequenas férias durante da tarde!
18 de Agosto
Góis está hoje a recuperar da grande agitação deste fim-de-semana da anual concentração de motas. Sinto me em relação à concentração um pouco como ao Natal – aguardo a chegada várias semanas de antemão com expectativa e uma certa apreensão, gozo a ocasião em si e sinto a seguir um grande alivio quando tudo passou e sei que vai haver um intervalo de um ano inteiro até a próxima vez! Durante dois dias e meio a vila é invadida por motas e motoqueiros de todo feitio, tamanho e idade, que vêm para se encontrar, admirar as motas de cada um e fazer festa. O palco foi montado para três noites de entretenimento e barracas de mercadorias e serviços de tatuagens traçam a margem do rio, junto com os vendedores de farturas e cachorros e muitos bares de cerveja. O ambiente é relaxado e de muito boa disposição – passei a maior parte do tempo na concentração, andando à volta com o Richard na sua tarefa de repórter fotógrafo e nas estradas, no parque de campismo e no campo central da concentração em si não precenciamos nenhum acto violento nem o mínimo ambiente de conflito. Famílias inteiras chegam para se juntarem ao divertimento e durante este fim-de-semana as regras normais são menos rigorosas – os motoqueiros passam na vila sem capacetes, com crianças entaladas entre os seus pais ou fazem piões pela estrada fora. Uma alta presença policial mantém um olho atento mas benigno sobre os acontecimentos. Se tiver a coragem de deixar a sua aldeia ou quinta e ir para Góis neste fim-de-semana, vai com certeza ter uma grande surpresa. A geralmente calma pequena vila sonhadora é transformada com a invasão desta multidão de motas que ataca todos os sentidos – o cheiro forte a gasolina paira no ar e o barulho de motores de alta cilindrada torna-se ensurdecedor. Mas é divertido, é um bom negócio e como nós nos podemos reconfortar – é só uma vez por ano! Hoje é segunda-feira, os donos dos cafés estão a contar os seus lucros, o minimercado está a encher de novo as suas prateleiras e as caixas de Multibanco já têm outra vez dinheiro. Graças a Deus tudo voltou ao seu normal.
Para ver mais fotografias da concentração de motas clique aqui.
15 de Agosto
Ontem à noite, quando Góis começou a transformar-se num formigueiro por causa das motos que vieram para a vila, as minhas filhas e eu escapámos da confusão para um evento mais calmo que tinha lugar em Vila Nova do Ceira – a procissão da Nossa Senhora da Candosa. Todos os anos a pequena estátua da Santa deixa a sua capela da Candosa para passar algum tempo na Igreja de Várzea Grande. Depois, no fim-de-semana em sua honra, ela é trazida de volta para o monte e para a sua residência usual numa procissão à luz de vela. Ontem à noite fomos abençoadas com a lua quase cheia e um céu cheio de estrelas reluzentes quando seguíamos a procissão, deixando a vila e subindo o monte, passando as árvores para o alto da Candosa. O andor, onde a Santa repousava numa cama de rosas brancas, pousava nos ombros de quatro mulheres e era iluminado por quatro lanternas altas em cada canto. Quando passámos na procissão, residentes da vila olhavam das suas janelas, alguns com as suas próprias velas acesas em honra da Santa. Uma voz forte de mulher cantou cânticos e rezas às quais a congregação respondeu suavemente. O estado de espírito era de paz mas não demasiado pesado – os repetidos Ave Marias elevavam-se e soavam solenes enquanto caminhámos na parte de trás da procissão. Eu não sou católica e por isso a minha compreensão do significado de um tal evento deve sempre ser limitada. Eu apercebi-me e senti que para muitas mulheres presentes isto foi uma ocasião profundamente comovente e várias completaram a procissão em meias ou descalças. Para mim a experiência desta marcha tranquila pela noite fora nesta celebração e homenagem comunitária deu-me uma sensação profundamente reconfortante e de algum modo familiar. Mesmo que eu não partilhe a mesma fé, não me senti deslocada. Quando subimos o monte para a Candosa, via-se a área brilhantemente iluminada por coloridas luzes decorativas e adornos de festa; a nossa chegada final gloriosamente iluminada e a Santa foi recebida pela multidão que aguardava. Quando a procissão chegou à sua destinação final, juntou-se ao nosso cântico uma onda de vozes pela porta aberta da capela numa sincronidade de cortar a respiração. A pequena Santa voltou para o seu pedestal familiar dentro da capela e a procissão desfez-se para as pessoas se juntarem à festa. Depois finalmente foi altura da banda, que já estava a espera , começar a tocar e as celebrações em honra da Nossa Senhora da Candosa que duram três dias abriram com música e baile.
11 de Agosto
O Blog do Richard:
Durante dos últimos dias estivemos muito atarefados a documentar histórias da freguesia de Alvares, tirando fotografias das aldeias e das pessoas da região. Ontem fiquei um pouco mais perto de casa; assisti na actuação do Rancho Folclórico que foi apresentado na FACIG, que é um festival local que se realiza anualmente na vila de Góis. Espero que as seguintes fotografias transmitam um pouco do ambiente do evento.
10 de Agosto
Este fim-de-semana começou a FACIG (Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Góis) – um evento um pouco comparável com a ‘Exposição do Município’ no Reino Unido (sem o gado). O evento prolonga-se por 5 dias, com música, bailes e festas em adição aos postos de venda e às barracas. Sexta-feira à noite descemos para o Parque do Baião em Góis, onde o palco estava montado e iluminado para a esplêndida “Banda Êxito” Brasileira, que nos divertiu com música e dança Brasileira altamente energética e colorida até bem depois da meia-noite. Mas mesmo assim conseguimos sair cedo da cama no Sábado de manhã para poder desfrutar do ‘Dia da Juventude’. O dia arrancou com aeróbica na água do rio Ceira, e cursos de dança e ‘Body Combat’ no parque. Entretanto havia oportunidades de experimentar tiro ao arco, escalar a parede de montanhismo, e o rapel de cortar a respiração por cima do rio, que tinha crianças e adultos fazendo ansiosamente fila para poder dar uma volta. No entanto foi a festa da espuma à noite que a nossa família mais gostou – à meia-noite no parque do Cerejal, o campo de bola foi transformado através de canhões de espuma num lago de bolhas de ar, e Góis tornou-se Ibiza por baixo de estroboscópios e luzes de discoteca! Pequenas crianças desapareceram bastante assustadoramente na ‘rebentação’ da espuma mas reapareceram muito contentes e até alguns adultos foram visto mandarem-se por dentro com muito gosto… Emergimos mais limpos e húmidos por volta da uma da manhã – sem dúvidas que a festa se prolongou para muito mais tarde, mas a nossa energia chegou finalmente ao fim. É bastante fatigante ser jovem por um dia!
4 de Agosto
Durante as últimas semanas passaram-se coisas estranhas na nossa aldeia – homens e rapazes juntaram-se de noite na cave da Casa do Convívio e martelavam e batiam pela noite fora até as primeiras horas de manhã. Quando estávamos deitados nas nossas camas a mergulhar pelo sono, fomos acordados por um som que parecia uma tempestade a aproximar-se e que ficou mais alto e mais alto chegando a um crescendo estrépito em frente das nossas janelas antes de ficar mais fraco e finalmente morrer. Alguns minutos depois isto aconteceu de novo – e para o fim da última semana isto ainda acontecia às 2 da manhã! Mas ontem a razão destas brincadeiras de meia-noite foi finalmente revelada, em forma da primeira corrida de carros de rolamentos deste sempre, do Liboreiro para Manjão, inventada e organizada pelo habitante de Manjão Rui Ramos. Como já mencionado, semanas de preparação anteciparam este evento, e o dia mostrou ser um divertimento enorme deste do inicio até ao fim. Embora as temperaturas ultrapassassem os 30ºC, à volta de 500 pessoas traçaram a estrada e animaram e aplaudiram os 53 concorrentes, que se moviam ruidosamente e com estrondo pelo percurso abaixo numa selecção de veículos feitos à mão, dos quais alguns atingiam velocidades espantosamente altas. Apesar de alguns pequenos percalços não houve lesões graves e os bombeiros não foram chamados a intervir a qualquer serviço de emergência. Da varanda da nossa casa gozei uma vista de tribuna para os acontecimentos e deixei o Richard correr ao sol abrasador a tirar as mais de 600 fotografias deste o inicio até a meta (uma colecção delas pode ser vista no nosso Website na secção de eventos). Ao aproximar-se o pôr-do-sol encontrei a energia de me deslocar para a entrega de prémios, onde medalhas e taças foram entregues aos concorrentes – incluindo a alguns membros muito jovens que conseguiram descer o percurso. Depois disto tratou-se de relaxar e gozar a tarde com algumas cervejas frescas – assim amenos pensávamos nós. Pouco sabíamos que prazer ainda estava a nossa espera - uma emocionante e arrepiante descida no maravilhoso sofá de 3 pessoas transformado em carro de corrida, pilotado por Rui e iluminado apenas pelas estrelas. Estou muito agradecida de que a fotografia que me tiraram, quando passamos pela aldeia como um foguetão, NÃO vai ser exposta neste website. Mas também já não me lembro quando da última vez que me ri tanto!
1 de Agosto
ÚLTIMAS NOTÍCIAS!!
Com muito prazer anunciamos que a Anna e a Patricia passaram o exame de mediação imobiliária do InCI com sucesso e isto significa que agora estamos perto de ser a primeira empresa de mediação imobiliária legal e licenciada na região de Góis.
Tem sido um processo interessante e algumas vezes também frustrante, porque a burocracia e a papelada conseguem ser bastante chatas e ainda temos alguns obstáculos à nossa frente. Mas sabemos que vale a pena! Queremos aproveitar a oportunidade de agradecer a todos os que nos apoiaram, tanto aqui em Góis como no Reino Unido. Alguns de vocês nunca encontrámos pessoalmente mas as suas mensagens e estímulos mantiveram-nos andando para a frente e são muito apreciados. Agora estamos a espera do dia quando finalmente podemos colocar os imóveis no nosso website e este dia está a aproximar-se.
As fotografias acompanhantes de hoje são algumas libélulas que brilham na luz do sol. A libélula tem um significado pessoal para nós em conexão com esta empresa e o trabalho que tivemos para a criar e por isso parece que agora chegou a altura certa de as dispor no nosso site.
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