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  Life is Góis    por Patricia Mayborne
 
 

29 de Julho
Como o tempo voa durante as férias de Verão – para minha vergonha dei conta que já passou TANTO tempo deste o meu último registo no Blog e agora esforço-me para lembrar o que realmente temos estado a fazer. Claro que a resposta é que estivemos a divertir-nos, levando a vida com mais calma e aproveitando o lindo sol, e deve ser certamente isto que se deve fazer no Verão! A nossa horta é um lugar de crescimento e começamos agora a colher as recompensas de tanto limpar, cavar e estrumar que fizemos mais cedo neste ano. Para o nosso prazer temos beringelas e pimentos a crescerem, abóboras, courgettes e pepinos em abundância, várias variedades de tomates e ainda por cima, como se isto não chegasse, alguns maravilhosos girassóis altos. Havendo no Reino Unido semeado girassóis separadamente e em vasos e sentido orgulho quando passavam do estado de muito magro e finalmente chegavam a uma altura crescida, estou agora cheia de prazer de ter muitos deles no jardim, competindo entre eles qual é o mais alto e o mais gordo. Se alguma vez uma flor for uma celebração da pura força de vida, deveria ser o girassol! No entanto ainda não desligamos o nosso cérebro por completo porque estivemos a fazer algum trabalho de investigação acerca da presença dos templários na região e descobrimos alguns factos muito interessantes. Isto começou em grande parte por causa da nossa visita à igreja de Folgosa e aqui tenho agora de fazer uma correcção à minha ultima entrada no Blog – temos agora a certeza que as figuras nas chamas, retratadas nas pinturas das paredes, não são almas perdidas no inferno mas um retrato dos templários que eram queimados no inicio do século XIV – uma coisa que não aconteceu em Portugal mas ocorreu pela Espanha e França. A simbologia nas imagens da parede apontam fortemente para a possibilidade de que a igreja tenha sido construída pelos templários e isto levanta mais questões acerca de qual conexão a ordem tinha com a região de Góis – veja a secção de historia do website para qualquer resposta que encontrarmos…

18 de Julho
Ontem dedicamos o dia à história e saímos de casa com o nosso amigo Professor João Simões, o historiador de Góis, para visitar alguns sítios de particular interesso histórico que ainda não estão alistados.
A nossa primeira paragem foi na pequena aldeia de Roda Cimeira onde existe o inexplicável fenómeno das colunas Romanas. Estas colunas de granito, quase com certeza de origem autêntica Romana, apareçam bastante casualmente integradas em vários edifícios na aldeia. Vários edifícios datam do século XVIII mas não há nenhuma razão sabida ou documentada como estas colunas chegaram a esta aldeia. A explicação dos habitantes é que elas são dos ‘Mouros’ (que simplesmente quer dizer que são velhas). A nossa hipótese é que estas são uma indicação que aqui havia uma ‘Villa’ Romana na vizinhança mais próxima e que subsequentemente os portugueses a construírem as suas casas, de maneira pragmática, tiraram os materiais que pareciam úteis, incorporando estes nos seus próprios edifícios. O granito que foi utilizado para fazer as colunas foi importado de em mínimo 30 km de distância, um facto do qual podemos concluir que o edifício para qual foram feitas tinha de ser algo prestigioso. Em todos os outros aspectos a Roda Cimeira é como as outras aldeias nesta área – mas as outras aldeias não têm colunas Romanas.
Durante o tempo que passámos na aldeia (que por acaso tem uma fantástica área para nadar que foi criada no rio Sinhel) encontramos um residente com 82 anos de idade que costumava trabalhar como mineiro de ouro e volfrâmio, tanto para as companhias mineiras inglesas como para as alemãs. Alegadamente, alguns dos mineiros (que não eram empregados pelas companhias e só eram pagos pelo minério que encontravam) concebiam muitas maneiras engenhosas de passar clandestinamente pepitas de ouro pelos guardas, incluindo nas suas bocas, nos seus sapatos e nas sopeiras cheias de sopa que traziam para o almoço, mas que na realidade não comiam!
A seguir fizemos mais uma vez uma visita à tão lindamente situada aldeia de Folgosa que se encontra num cume por cima do vale do Ceira. Folgosa foi antigamente uma aldeia de importância porque se situa directamente junto a uma velha rota de comércio pelo vale Ceira acima, que se pensa datar da idade de Bronze. Agora é um lugar calmo e ninguém ia suspeitar do tesouro que se encontra na pequena capela no monte. Quando a porta é aberta e a entrar para dentro se é cumprimentado por um conjunto de magníficas pinturas medievais no tecto e nas paredes. Os Santos Mateus, Marcus, Lucas e João são retratados no tecto, e as pinturas pareçam tão frescas como no dia em que foram pintadas. De cada lado do altar, as chamas do inferno lambem à volta de almas infelizes, por baixo de duas representações da Nossa Senhora que parecem ter nas mãos uma coisa parecida com ramos de palmeiras. Uma das figuras também segura um instrumento que parece servir para arrancar dentes, completo com um dente – o significado deste símbolo infelizmente escapa-se! Esperamos que esta pequena igreja maravilhosa vai chamar mais atenção e fica mais conhecida e que a Folgosa seja reconhecida pela importância histórica que tem. Suspeitamos que ainda há muito mais coisa de importância a descobrir nesta área.

No nosso regresso à casa após o por do sol, ficamos extasiados a olhar para a lua cheia detrás das eólicas encima das Mestras – um fim espectacular para um dia inspirado.

14 de Julho
Ontem à noite tivemos a sorte de poder participar num grande evento no Largo do Pombal em Góis – para o final do festival anual do GóisArte foi programado uma actuação ao ar livre da ópera cómica “As Damas Trocadas”. O Largo que foi recentemente renovado (e que correctamente agora devíamos chamar ‘Largo Francisco Inácio Dias Nogueira’ – mas Largo do Pombal é mais fácil de lembrar!) foi transformado através de muita iluminação teatral num palco, decorado por dúzias de candeeiros de óleo tremeluzentes, postos à volta da praça. Como não sabíamos nada acerca da ópera ou os artistas não sabíamos o que devíamos esperar, mas desde os primeiros toques da música de piano percebemos que ia ser bom e durante mais de duas horas fomos arrebatados por uma actuação excelente de um grupo muito profissional. Vindos do Reino Unido, não estamos habituados a ficar sentados para ver qualquer tipo de espectáculo que começa só as 22:45 horas e que não acaba antes de bem depois da meia-noite, mas em Portugal isto é bastante normal, e o publico foi composto de pessoas de todas as idades. Felizmente a noite foi seca e calma, embora um pouco fresca, e uma lua crescente mostrava a sua pálida luz por cima do largo para ainda aumentar o efeito. Há algo muito especial nos espectáculos ao ar livre. É maravilhoso ter este festival de GóisArte – isto foi a terça vez que estávamos presentes e o conteúdo é muito variado e muitas vezes surpreendente. Sábado a noite ouvimos tocar a Orquestra Típica Albicastrense em baixo junto ao rio – cantando um selecção mexida e cheia de vida de cantos tradicionais da região, acompanhados por guitarras e bandolins. Outras actuações durante o fim-de-semana incluíam jazz, fado, um quarteto de clarinete e ballet - só é pena que não conseguimos ver tudo que era oferecido!
Para poder ver mais fotos de “As Damas Trocadas” clique por favor aqui.

10 de Julho
Chegou a estação das visitas, tanto visitantes pessoais como pessoas que passam férias. O encanto desta área atrai nesta altura do ano as pessoas para fora das cidades – muitos regressam para as casas de família nas aldeias para ai passarem as suas férias. Em muitas aldeias celebram-se as festas durante os meses Julho e Agosto em honra do Santo Padroeiro e as aldeias são adornadas com decorações coloridas e preparam-se para os bailes e festejos. A festa local é muitas vezes o acontecimento mais importante do ano e junta famílias, das quais os membros estão espalhados e distantes uns dos outros, para uma celebração da vida tradicional.
Para nós estrangeiros é encantador e gratificante testemunhar à continuação de uma tal tradição e é um privilégio ser incluído nas festividades. É reconfortante saber que os valores da comunidade persistem apesar de todas as intrusões e distracções do mundo tecnológico.
Recentemente também nós tivemos visitas e é sempre interessante ver a área de novo através de olhos ‘frescos’ – quando as coisas se começam a tornar familiares, tendemos a tomá-las como garantidas. Quando estávamos sentados na esplanada de um Restaurante em Góis, muito depois do pôr-do-sol e olhámos como crianças pequenas brincavam ao longo da estrada, fomos lembrados que em tantos lugares agora esta segurança já não existe. Aqui ainda podemos gozar da tremenda beleza da natureza, da pureza do ar e da água e as nossas crianças têm a liberdade de vaguear e brincar, mesmo neste momento que as comunicações modernas estão a porta. De forma crescente, pessoas de meio ambientes mais ásperos, encontram o caminho para este lugar a procura desta preciosa qualidade de vida e são recebidos calorosamente pelas comunidades que experienciaram décadas de esforço e luta pela vida e a subsequente emigração. O desafio é de contribuir de viver aqui de uma maneira positiva, de preservar as qualidades que fazem esta área tão especial, enquanto que oferecendo novas vias para o crescimento e a inclusão. É tarefa de todos nós, habitantes nativos e recém-chegados, de segurar que esta região única mantenha o seu coração e de desenvolva e evolua de modo a poder continuar a refrescar e inspirar todos que vêm para aqui, quer para ficar ou simplesmente para recarregar as ‘pilhas’.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
       
   


 

 
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  Updated 10 May, 2010