| |
30 de Julho
Se eu tivesse algum conhecimento de chamanismo poderia talvez compreender o significado da visita de uma magnífica águia dourada ontem à nossa casa. Quando estendia a roupa na nossa varanda, fui alertada por um grito de “Águia!” da Bess e olhei para cima mesmo a tempo de ver este enorme e maravilhoso pássaro a passar por mim num ápice a apenas uns metros de distância. A extensão das suas asas devia ser de pelo menos 2 metros e eu pude até discernir os diferentes tons das penas do seu ventre. Dentro de uma fracção de segundo precipitou-se para cima e para longe sobre o vale, onde a observámos a ‘cavalgar’ as correntes de ar e parar, pairando por um momento antes de ascender na distância. Infelizmente não tivemos tempo de tirar fotografias, mas levarei a imagem nos olhos da minha mente durante algum tempo. Hoje, em jeito de contraste, eu estava sentada lá em baixo no bar do rio em Góis saboreando uma sanduíche, enquanto um pequeno chapim-carvoeiro saltitava destemidamente em volta dos meus pés apanhando as migalhas. Em breve juntou-se-lhe uma alvéola amarela com uma pata magoada, que conseguiu desenvencilhar-se bastante bem sobre a sua pata boa. Entretanto, a macieira do outro lado da estrada em frente a nossa casa tem tido os seus frutos sacudidos pela família de melros que se parece ter instalado nela. Em geral, esta região parece ser um bom lugar para os pássaros. Há abundantes frutas para picar aqui e ali, ninguém parece interessado em atirar sobre eles nem em comê-los como acontece em alguns outros países e assim temos a possibilidade de continuar a desfrutar do seu canto e da sua presença nas nossas vidas todos os dias.
14 de Julho
A nossa horta está em plena glória verdejante, agora que os pequeninos rebentos que nutrimos com tanto carinho no início da Primavera estão carregados de frutos a amadurecer. Nós gostamos do facto de a horta estar viva com muitas espécies de insectos: louva-a-deus, grilos, eu falei das borboletas no mês passado, e há agora uma proliferação de abelhas em torno dos girassóis e dos feijões-verdes, e podemos ouvir um zumbido grave vindo do pedaço de terreno cultivado com vegetais. Felizmente há muito poucas lesmas e caracóis e estamos impressionados com a qualidade da colheita, sendo tudo produzido de forma biológica. O nosso único problema é que algumas plantas parecem ser levadas pelo entusiasmo: temos no frigorífico courgettes suficientes para uns dois anos!
Este fim-de-semana decorreu o anual Festival Góis Arte – uma ocasião que eu espero sempre com expectativa. Embora apenas tenhamos conseguido assistir a duas actuações este ano, elas foram, nas suas formas contrastantes, ambas muito agradáveis. Lá em baixo no Parque do Cerejal, onde os artistas estavam sentados debaixo de árvores a pintar e nós preguiçávamos e fazíamos um pic-nic ao sol e na sobra, fomos entretidos no Sábado e Domingo pela ‘Companhia Marimbondo’ – um grupo de palhaços talentosos com aspirações musicais. Infelizmente, não temos fotos do artista travesti baterista que montava um triciclo e levava um grande chapéu florido – era algo de se ver! A noite de Domingo viu o largo do Pombal repleto com a audiência para ‘Fado Virado a Nascente’ – duas horas de encantadora música tocada e cantada por músicos de grande nível em flauta, bandolim, piano e guitarra. Tendo apenas um conhecimento muito limitado de Fado, eu fiquei imensamente impressionada pela beleza da música, que também foi obviamente apreciada pelo resto das pessoas na audiência, algumas das quais estavam empoleiradas em muros, degraus, e espreitando das suas janelas para escutar. Estava uma noite amena e um borrifar muito fino de chuva começou justamente quando terminava o concerto, à meia-noite – muito gentil ter esperado até lá… Que maravilhoso seria ter mais música ao vivo em Góis – o Largo do Pombal proporciona um maravilhoso cenário para actuações, como vimos no ano passado com a ópera, e o coreto no parque está mesmo a pedir para ser usado em sessões regulares de Domingo à tarde, para acompanhar os grandes pic-nics em estilo português. Este é o meu apelo aos músicos e demais artistas – venham a Góis e actuem para nós nos meses de Verão – serão calorosamente recebidos!
14 de Julho
A nossa horta está em plena glória verdejante, agora que os pequeninos rebentos que nutrimos com tanto carinho no início da Primavera estão carregados de frutos a amadurecer. Nós gostamos do facto de a horta estar viva com muitas espécies de insectos: louva-a-deus, grilos, eu falei das borboletas no mês passado, e há agora uma proliferação de abelhas em torno dos girassóis e dos feijões-verdes, e podemos ouvir um zumbido grave vindo do pedaço de terreno cultivado com vegetais. Felizmente há muito poucas lesmas e caracóis e estamos impressionados com a qualidade da colheita, sendo tudo produzido de forma biológica. O nosso único problema é que algumas plantas parecem ser levadas pelo entusiasmo: temos no frigorífico courgettes suficientes para uns dois anos!
Este fim-de-semana decorreu o anual Festival Góis Arte – uma ocasião que eu espero sempre com expectativa. Embora apenas tenhamos conseguido assistir a duas actuações este ano, elas foram, nas suas formas contrastantes, ambas muito agradáveis. Lá em baixo no Parque do Cerejal, onde os artistas estavam sentados debaixo de árvores a pintar e nós preguiçávamos e fazíamos um pic-nic ao sol e na sobra, fomos entretidos no Sábado e Domingo pela ‘Companhia Marimbondo’ – um grupo de palhaços talentosos com aspirações musicais. Infelizmente, não temos fotos do artista travesti baterista que montava um triciclo e levava um grande chapéu florido – era algo de se ver! A noite de Domingo viu o largo do Pombal repleto com a audiência para ‘Fado Virado a Nascente’ – duas horas de encantadora música tocada e cantada por músicos de grande nível em flauta, bandolim, piano e guitarra. Tendo apenas um conhecimento muito limitado de Fado, eu fiquei imensamente impressionada pela beleza da música, que também foi obviamente apreciada pelo resto das pessoas na audiência, algumas das quais estavam empoleiradas em muros, degraus, e espreitando das suas janelas para escutar. Estava uma noite amena e um borrifar muito fino de chuva começou justamente quando terminava o concerto, à meia-noite – muito gentil ter esperado até lá… Que maravilhoso seria ter mais música ao vivo em Góis – o Largo do Pombal proporciona um maravilhoso cenário para actuações, como vimos no ano passado com a ópera, e o coreto no parque está mesmo a pedir para ser usado em sessões regulares de Domingo à tarde, para acompanhar os grandes pic-nics em estilo português. Este é o meu apelo aos músicos e demais artistas – venham a Góis e actuem para nós nos meses de Verão – serão calorosamente recebidos!
6 de Julho
Na área de Góis há muitas minas antigas, algumas datando do tempo em que os Romanos cá estiveram, mas mais recentemente da II Guerra Mundial, quando o volfrâmio (tungsténio) era muito procurado. Pessoalmente, teriam que pagar-me uma grande quantidade de dinheiro para me fazer descer a uma destas antigas minas, mas para algumas pessoas, incluindo o Richard, uma incursão para dentro de uma mina é um passeio divertido. Ontem de manhã, uma equipa de homens da nossa povoação foi à mina local porque a água que fornece para os sistemas de rega tem sido um pouco escassa e eles queriam encontrar e resolver o problema. O Richard assegurou-me de que foi muito interessante e de aquele subterrâneo profundo é um lugar calmo e pacífico para se estar…
Mais tarde durante o dia foi o oposto de calmo e pacífico na corrida de bicicletas todo-terreno em Góis. Não, eu também não fui, fiquei em casa colada à Final Masculina de Ténis em Wimbledon, que é muito mais a minha ideia de desporto entusiasmante. Mas a Anna esteve lá para apoiar o seu marido vitorioso, e o Richard e a Bess tiraram algumas fotos fantásticas.
|
|