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11 de Maio
Hoje fomos ver umas propriedades bem diferentes a alguns km a Este da área de Góis – duas para lá de Coja, e duas na região da beira próximo do rio Mondego. A primeira era uma encantadora quinta em xisto localizada num vale onde já viveram 15 famílias totalmente auto-suficientes – e agora virtualmente vazia. Nós ouvimos como uma senhora muito idosa revisitou o local onde cresceu e ficou muito admirada em não ver gente a trabalhar nos terraços – tanto mudou nestes anos intermédios, desde o tempo em que uma quinta poderia albergar uma família com mais de 45 pessoas. A próxima paragem foi para ver uma quinta restaurada acima de Avô, uma pequena vila no rio Alva que se parece com a Bavaria no seu vale bastante inclinado. Um completo contraste, quando o terreno próximo de Ervedal se expande com grandes pedaços de rocha de granito liso. Esta é a terra dos Dolmens, onde se consegue sentir a história das próprias pedras, com os seus estranhos buracos esculpidos, e as suas gravuras rupestres. No meio das rochas cresciam tremoços, boninas amarelas e alfazemas selvagens em profusão, e ficamos também surpresos em ver moitas de orquídeas delicadas de língua (Serapias vomeracea). Por fim desbravamos por tempos uma estrada cheia de pedras (que decerto deveria ter sido feita por um veículo 4X4) para encontrar uma ruína num pedaço de terreno por cima do rio Mondego – Bem distante da louca multidão, assim como do alcatrão! Depois de bater e chocalhar a nossa pobre carrinha por quilómetros de estradas de terra batida, foi um alívio regressar novamente a estradas a sério. Mas se isolamento é o que procura, então nós certamente podemos indicar-lhe o caminho certo…
5 de Maio
Como resultado das cinzas vulcânicas do mês passado, o Richard acabou por desfrutar de uma estadia de duas semanas e meia na Noruega, em vez dos planeados 4 dias. Como consequência, as actualizações da “Vida em Góis” e do site foram adiadas por mais tempo do que nós gostaríamos, e o Richard tem estado a trabalhar muito fora desde que regressou, há uma semana. Então, sentimos que estava na hora de outra pequena excursão, (que envolveu ver uma casa, claro), que nos levou até à praia da Consolação perto de Peniche, para algumas horas gloriosas à beira-mar. Tivémos a sorte de ter uma tarde com o céu limpo na qual pudémos ver o Sol afundar-se no Ocidente sobre o Oceano Atlântico e o mar turquesa para contemplar. Enquanto a Ana e eu meditávamos sobre o pôr-do-sol, o Richard captava-o com a máquina fotográfica, e eu acho que as fotos transmitem algum do poder e da beleza do evento... A praia exibe também um pavimento de rocha calcária e abundância de fósseis... e já mencionei a tonificante brisa de Norte?
3 de Maio
Todos os primeiros domingos do mês, é feito o mercado na cidade de Miranda do Corvo, a 40 minutos de Góis de carro. O mercado começou acerca de dois anos para reunir fundos para uma associação de defesa e bem-estar dos animais local, e começou a ser um local de encontro para estrangeiros, assim como portugueses locais. Nós fomos ontem pela primeira vez, numa maravilhosa manhã de sol e encontramos o mercado estendido numa avenida de choupos no centro da cidade, convenientemente localizada no seguimento de um café que vendia bolos deliciosos! Todo o tipo de coisas estavam à venda, incluindo plantas, bolos caseiros, livros e quinquilharia, e passamos umas boas duas horas a ver e a conversar ao sol. Quando saímos, um sistema de som estava a ser montado para mais entretenimento a seguir, mas já tínhamos tido a nossa conta na noite anterior na associação educativa e recreativa de Góis (imagine-se um teatro com palco de 1950) a celebrar o seu encerramento devido à sua reconstrução, apresentando várias representações com “ A prata da casa” – no sábado à noite. Estava previsto o início para as 21:30, mas houve alguns atrasos e começou por volta das 22:30, enquanto a audiência continuava a apertar-se para entrarem mais até à meia-noite, ou ficavam por perto para ouvirem lá fora. Tendo chegado cedo, ficamos com lugar sentado, e vimos várias representações, como danças latinas, acordeões a tocar músicas tradicionais (assistidos por uma audiência participativa), recitações de poemas, um artista Drag queen, e uma peça cómica de teatro sobre o 25 de Abril passar por Góis (seria difícil, mas poderia aparecer!). O nosso favorito pessoalmente foi o “Grease Lightening” por um jovem grupo de dança. A primeira metade do entretenimento da noite estendeu-se até às 12:45, e a noite estava ainda muito nova, mas nós, ala, que estávamos já prontos para ir para a cama, não sendo feitos da mesma resistência dos Goienses. Fiquei um pouco desapontada por perder o sketch sobre os turistas em Góis, agendado para a segunda metade, mas estou certa de que terá sido hilariante e bem observado. Imagino que a diversão continuou até altas horas da manhã de domingo, assim como as pessoas de Góis( que sabem certamente como festejar) relembraram e celebraram uma componente muito importante das suas vidas – O pequeno teatro da ERA.
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