gois property
 










 
 

 
       
  Professor João Alves Simões
Professor João Alves Simões


Fazendo parte do nosso compromisso promover a região de Góis, a Góis Real Estate Company e o Professor Mestre em História, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (mormente desde o Período Cronológico Pré-Câmbrico, isto é, desde há cerca de 750 milhões de anos até ao século XXI, da região de Góis), João Alves Simões, no que diz respeito aos aspectos: geológicos, arqueológicos, sociais, económicos, políticos, culturais, religiosos e outros, estão a meditar e/ou reflectir (respeitando os termos legais), documentar e narrar os tempos Pré-históricos e Históricos da região de Góis.
É nosso parecer que, ao longo dos tempos, a região em causa foi esquecida e ignorada por alguns escritores e/ou historiadores (locais, regionais e nacionais).
Para que estes tempos de antanho não se venham a repetir, juntaremos todas as nossas faculdades. Assim, e se for possível o apoio da Câmara Municipal de Góis (nomeadamente através seu Presidente), o Pelouro da Cultura e outros, seriamos todos, capazes de mudar, com amor e dedicação, as diversas e várias situações herdadas dum passado longínquo e recente. Professor João Alves Simões

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Rock drawings

Tempos Pré-históricos

A causa para a riqueza da região de Góis em tempos pré-históricos, encontra-se nos vários depósitos (minas de céu aberto e galerias) de ouro, especialmente na ribeira de Piães, Bordeiro, Escâdia Grande e outros locais da região de Góis. O testemunho do período Neolítico, fornecido por artefactos que acompanhavam os enterramentos, sugere que os habitantes do período Neolítico, desta região, negociavam, isto é, praticavam a troca directa, entre os povos, por toda a Europa, obtendo assim, objectos de elevado valor, os quais acompanhavam os mortos nos seus enterramentos (culto funerário em antas ou dolméns. Pensa-se que o principal intercâmbio comercial tenha sido o ouro local.

 
  
  chapel  Igreja de Matriz,

Numa das grutas nas colinas por cima de Liboreiro encontraram-se dois machados, um de pedra e outro de ferro do período Neolítico. Pensa-se que estes foram utilizados para extrair ouro. Os dois machados encontram-se no Museu Arqueológico de Arganil. Também é provável que as comunidades Neolíticas, da região, fossem sedentárias, como é sugerido pela aparente descoberta de mamoas, antas ou dolméns na citada área geográfica.

Actualmente, estamos empenhados em fundamentar, a hipótese, de que a colina, conhecida como Capela do Castelo, situada na margem esquerda, junto à ponte, do rio Ceira,  é de facto um monumento funerário do Neolítico tardio, isto é, Eneolítico, / inicial Idade de Bronze. A capela, actual, sobre a colina foi mandada construir no século XVI por D. Luís da Silveira, Senhor de Góis e Conde de Sortelha.
Existe uma história local (lenda) acerca de um túnel que passa por debaixo do rio, que irá da capela até à Igreja Matriz. Isto não é plausível, grande parte de vilas, aldeias, povoações, etc., desde o Norte ao Sul de Portugal contam a mesma "história"… A parte inferior do vale é constituída por grandes pedregulhos o que daria origem a inundações do rio. O mais provável é que o túnel seja o corredor, isto é, a passagem para entrar na mamoa funerária. Nos anos de 1970, durante uns trabalhos paisagistas, neste local, descobriu-se uma curta passagem para dentro da mamoa, porém esta foi tapada.

      
  bronze axe

Em 1973, um empregado de um empreiteiro local, fazendo trabalhos de melhoria na estrada da Ribeiro Cimeira para a Pena (Penedos de Góis), descobriu um machado plano, em bom estado, com gume perfeito, isto é, sem ‘bocas’ (do que pode concluir-se não ter sido utilizado) de bronze. Informando os seus colegas, estes confirmaram que também tinham visto vários outros objectos idênticos. Porém estes foram postos junto com um monte de pedras, que removeram, do lado da estrada, para dentro da britadeira, sendo utilizados como material britado para uso na estrada. Poderá passar-se que, este monte de pedras, terá pertencido a um monumento funerário (anta, dólmen) do início da Idade de Bronze (aproximadamente 2500 a.C.). O machado encontra-se ainda na posse da pessoa que o encontrou, que amavelmente nos deu autorização para o fotografar.

 
   Petroglífos  
  Petroglyphs (Rock drawings)


A região de Góis ufana-se de possuir numerosos exemplos desta antiga forma de arte. A Pedra Letreira é, provavelmente a mais grandiosa obra, embora existam mais três exemplares junto da povoação das Mestras. Existem várias teorias acerca da idade destes monumentos, mas o mais provável é de que terão uma cronologia compreendida entre 6000 a.C. e 2000 a.C. Infelizmente acredita-se que muitos destes vestígios arqueológicos perderam-se porque os locais escolhidos ocorrem em rochedos com uma superfície plana (rocha saliente com superfície plana), que são ideais para retirar material para construção. Conta-se que possam existir mais “pedras com desenhos” nas paredes das casas antigas. Se deseja visitar estes locais arqueológicos, a melhor hora é à tarde quando o sol está baixo. Nessa altura a superfície (face) da "pedra" ganha vida, revelando todos os desenhos na superfície do rochedo.

Nota importante: Se visitar os petroglífos, por favor, tome atenção; não os danifique.


 
   

Os Lusitanos

 
  www.portaldomovimento.com

Os Lusitanos eram um povo Indo – Europeu, possivelmente indígenas e possivelmente originando dos Alpes. Consta que na região da Beira Alta, os Lusitanos teriam derrotado os Celtas e outras tribos, de povoarem e de colonizarem no século VI a.C. Parece ter existido um Castro Lusitano na Lomba do Canho em Arganil. Pensa-se que poderia ter existido um Castro Lusitano na aldeia de Ponte do Sótão. Existe também um testemunho escrito sugerindo que Góis se situaria, possivelmente, ligado a uma transumância, desde dos Pirenéus até Beja e Ourique (Alentejo). A presente localização da vela ponte poderá levar a crer ser este o principal ponto de travessia do rio Ceira.

 
    Os Romanos  
 

Roman columns

Roman Road

Roman-fort


Os Romanos estenderam na região, o seu império a partir do século III a.C., e aqui permaneceram até que formam vencidos pelas tribos invasoras Germânicas, no século V. Tornou-se evidente que Góis deveria ter tido uma vital importância para o Império Romano, na Península Ibérica, devido aos seus enormes depósitos de ouro. Este ouro servia para a cunhagem de moedas (ouro, prata e bronze, nas oficinas de Roma), as quais se destinavam para pagamento às suas tropas. Existem várias minas de ouro Romanas na região, incluindo uma que nós próprios visitamos, na estrada 342 entre as povoações de Ponte do Sótão e Albergaria, na qual o engenheiro de minas, britânico, Stanley Mitchell, nos anos 1940 encontrou um esqueleto acompanhado por uma moeda de ouro Romana do tempo do Imperador César Augustus. A vila de Góis foi, possivelmente, talvez, construída sobre uma povoação Romana, uma vez que ainda hoje, é possível observar colunas arquitectónicas, especialmente do tipo dórico, e outros testemunhos, nos edifícios à volta de Góis, que podem, talvez, demonstrar a origem de grandes "Villas" ou "Domus" senhoriais Romanos. A exploração mineira requeria água. "Salienta-se a construção de grandes e perfeitas obras hidráulicas" a que actualmente o povo desta região chama "Levada dos Mouros", trabalhada nas rochas, possuindo em quase toda a sua extensão "cerca de 1m de largura e mais de 14m de comprimento". "Esta "levada" pertence à arquitectura hidráulica Romana. Tem origem na Pampilhosa da Serra, atravessa as freguesias de Colmeal, Cadafaz e Góis e segue até Folques, Arganil". Isto deve ter sido um empreendimento gigantesco, e demonstra o extenso investimento dos Romanos na região.

A Estrada Romana

A nossa investigação, relacionando as provas físicas, o conhecimento local e outras informações acerca de estradas na região, admite-nos vaticinar a possível descoberta de uma estrada militar Romana que passa no meio da vila de Góis, que, já vindo da Portela de Albergaria, possivelmente, seguiria até ao acampamento Militar Romano da Lomba do Canho até à cidade Romana actualmente conhecida como Bobadela (Oliveira do Hospital) passando pela actual vila de Góis. A mais bem preservada secção desta estrada, no sudoeste de Góis, demonstra a construção soberba, e nalguns locais a largura total da estrada de 4m. A estrada é dividida por uma fila de pedras arredondadas que marca o centro. Na subida, a estrada é marcada por pedras laterais, colocadas e separadas por uma distância de um passo largo, isto é, analisando, a olho nu, a disposição desta calçada, talvez, possivelmente, se possa chegar à compleição anatómica dos militares que a percorriam. Acredita-se que estas marcações permitiam aos soldados Romanos de manter a distância correcta entre eles quando marchavam nas secções acentuadas da estrada.

Ainda é possível andar por mais de 1 km na superfície da estrada original, que era, até aos anos 1960, utilizada como estrada pública. Entre várias situações, era este o único caminho por onde eram transportados os defuntos (da bacia hidrográfica do Sótão) para o cemitério de Góis. Ao longo desta secção da estrada encontramos as ruínas de duas tavernas. Naqueles tempos era costume os caixões serem transportados por 4 homens, a mão, que se iam substituindo. Estes tinham o hábito de pousarem o morto, junto das ditas tavernas, e ali tomavam um copo de aguardente ou vinho. Era uso de parar em cada taverna, ao longo do percurso. Imagine-se agora a quantidade de tavernas que naqueles tempos deveriam existir, desde a povoação dos Povorais que ficava distanciada do cemitério de Góis a cerca 17km por atalhos. No regresso do funeral corria-se a mesma "via sacra" pelas mesmas tavernas. É de assinalar, que no caso dos defuntos, que viviam muito longe da vila, apenas traziam no seu sequito 4 homens, isto é, aqueles que transportavam o esquife. Conclusão: Neste caso acima citado, cada defunto provocava quatro duplas grandes bebedeiras.
Adicional à estrada, há testemunhos à volta de Góis de sistemas Romanos de cultivação e irrigação. Numerosas moedas Romanas foram encontradas ao longo dos anos.

Estamos a trabalhar no cálculo da área da cultivação Romana à volta de Góis: Parece que a área inicial de cultivação Romana podia ter-se estendido por mais de 4km2.

 
 
    O Forte Romano  
  O Forte Romano

Pensamos, logo que possível, poder confirmar, talvez, a existência de um forte militar Romano no oeste de Góis, dispondo, para isso, metodicamente de material de arquivo, fotografias aéreas, factos circunstanciais e outros. O local em causa é notável pela sua proximidade à estrada Romana (…Portela de Albergaria até Bobadela) e também o facto de estar a uma distância de marcha militar, de um dia, de Conimbriga, importante cidade Romana, e a uma marcha, de meio dia, da vila militar de Arganil.

Em presença destas investigações, pesquisas, descobertas e outras, é muito provável que Góis, futuramente, poderá ter conhecimento do seu passado histórico Romano.

 
    A ligação com os Germânicos  
  Germanic tribe

No que respeita à região em causa, não há uma cronologia, exacta, sobre a saída, definitiva, dos Romanos da mesma área geográfica.
O que se sabe, através de vários historiadores, é que o Império Romano, isto é, Roma, dominava toda a "Bacia do Mediterrâneo", onde se situavam diversos povos, entro os quais os da Península Ibérica (Lusitanos, Galaicos, Vetones e outros) e, também, povos e/ou algumas tribos do Norte da Europa.
Devido a várias causas, as quais levaram à "decadência do Império Romano, esses povos bárbaros que se encontravam junto às fronteiras Romanas", acabaram por invadir o Império Romano. Tendo este sido dividido em "vários reinos" bárbaros.
Os povos de origem germânica: Vândalos, Alanos e Suevos chegam à Península Ibérica em 409, (século V).
Sabe-se que os Suevos seriam uma tribo invasora proveniente da Germânia.
Em 456, chegaram os "Visigodos", vindos do oriente (também chamados "Godos do Oriente Leste"), os quais se fixaram na "Península Ibérica" (excluindo a área geográfica (1) compreendida entre a parte litoral, ao norte do rio Tejo em direcção à actual cidade da Régua, e, daqui, até às " Astúrias", incluindo, também, o actual território do "País Basco (Espanha) ". "Os Visigodos, no tempo do seu rei Recaredo, em 589, converteram-se ao cristianismo".
Posteriormente, acabaram por dominar todo o território da Península Ibérica.
A partir do século VIII, sobre ordens do seu chefe militar Pelayo, o herói de Covadonga, nas Astúrias e até hoje, século XXI, continuam a reinar em Espanha através do Rei D. Juan Carlos, seu antepassado e/ou antecessor.
O nome "Gois" deriva do nome Germânico "Goes". Actualmente os habitantes de Góis ainda são conhecidos como "goenses".
Será de admitir, talvez, a importância para os povos colonizadores, de antanho, dos vários minérios (ouro, prata e outros extraídos pelos Romanos) existentes, nesta região. Na mesma área geográfica parece existirem poucos "testemunhos" (escritos, arqueológicos e outros).
(1)Esta área geográfica pertencia ao reino Suevo.

 
    Os Mouros  
  Os Mouros

Em 711, século VIII, no Sul da Península Ibérica (Estreito de Gibraltar), desembarcaram os: árabes, da Arabia; os "Moiros", muçulmanos, sarracenos ou berberes, sendo estes originários do Norte de África.
Lutas internas entre os Visigodos:
Reinava, então, no século VIII, o Rei Visigodo Witzia que tinha dois filhos de idades diferentes. Por falecimento do rei Witzia, o reino pertencia ao filho mais velho. No entanto o filho mais novo, com os seus amigos, tenta e quer apoderar-se da governação de reino. Para isso revolta-se contra o irmão.
A partir desse facto os dois irmãos, cada um com os seguidores da sua causa, entram em guerra, isto é, em disputa pela posse do reino.
A desvantagem militar do príncipe mais novo leva-o a pedir auxilio, militar, aos "Moiros" do Norte de África. Estes como conheciam, muito bem, a área geográfica do Sul da Península Ibérica, as suas riquezas, comércio, pesca, etc., viram nesse pedido de socorro a oportunidade, que eles necessitavam, para invadirem o sul da Península Ibérica.

Foi isso que eles fizeram. Desembarcaram, em 711, na foz do rio Guadalquivir, onde os esperavam os cristãos pertencentes ao grupo dos Visigodos que eram comandados pelo seu Rei.
Os cristãos (do príncipe herdeiro), apesar da forte resistência que opuseram contra os "Moiros" e os Visigodos traidores, foram vencidos, tendo fugido para a zona montanhosa das Astúrias.
Porem, em 718, apenas a sete anos da ocupação da Península Ibérica, pelos "Moiros", surge um novo chefe militar visigodo, chamado Pelayo, o qual, com os cristãos (visigodos), vence os "Moiros" na célebre batalha de Covadonga (Astúrias).
Com esta vitória, e a partir das Astúrias, os cristãos, visigodos, começaram a expandir-se em direcção ao Sul da Península Ibérica. Coimbra foi tomada aos "Moiros" no ano de 715.
Há documentação, respeitante ao ano de 791 que se refere à reconquista e à colonização das terras ao "Sul do Douro", por D. Afonso II (Espanha).
Esta ocupação e/ou colonização não deveria ocupar a área geográfica de Góis.
Os limites da reconquista, entre cristãos e mouros, da região de Coimbra, foram alternando constantemente ao longo dos tempos.
Consta que no ano de 878 Coimbra foi declarada como pertencente ao Reino Cristão das Astúrias.

 
       
       
   
 
       
       
   
  Updated 21 May, 2008